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Por que você começa e não termina? A raiz emocional da autossabotagem

  • Foto do escritor: Renata Reston
    Renata Reston
  • há 24 horas
  • 3 min de leitura
Quando nos conhecemos melhor, sabemos como reagimos às mudanças e quais são nossas verdadeiras prioridades.

Você começa cheia de ideias, planos e intenções. No início, a motivação existe, a energia aparece e a vontade de fazer dar certo é real. Mas, em algum ponto do caminho, algo muda. O entusiasmo diminui, surgem distrações, o foco se perde e, pouco a pouco, você abandona aquilo que começou.


Externamente, pode parecer falta de disciplina, procrastinação ou desorganização. Internamente, porém, o que está em jogo é muito mais profundo: um conflito emocional ligado ao medo de ir até o fim.


Na maioria das vezes, não é incapacidade. É autossabotagem.



Autossabotagem não é preguiça, é proteção!


A autossabotagem costuma ser mal interpretada. Ela não surge para atrapalhar, mas para proteger. O problema é que essa proteção é inconsciente e baseada em experiências antigas, não na realidade atual.


Quando você se aproxima de concluir algo importante — um projeto, uma formação, uma mudança profissional, um relacionamento mais saudável — o inconsciente interpreta essa conclusão como uma ameaça. Não porque seja algo ruim, mas porque finalizar implica se expor.


Ir até o fim significa:

  • assumir responsabilidade,

  • lidar com resultados,

  • enfrentar julgamentos,

  • sustentar uma nova versão de si.


Para quem não se sente emocionalmente seguro ou merecedor, isso é assustador.


O medo não é falhar — é se reconhecer capaz.

Muitas pessoas acreditam que desistem porque têm medo de errar.

Mas, em um nível mais profundo, o medo costuma ser outro:

“E se eu der certo?”

“E se eu provar que sou capaz?”

“O que muda na minha vida se eu realmente conseguir?”


Dar certo exige presença, constância e posicionamento. Exige abandonar a identidade de quem está sempre “tentando” e assumir a de quem realiza. Para quem cresceu se sentindo invisível, cobrado ou pouco valorizado, isso gera conflito interno.


É mais confortável permanecer no campo da intenção do que sustentar a identidade de quem chegou lá.


O padrão de começar e não terminar

Observe se você se reconhece em alguns desses comportamentos:

  • começa projetos com entusiasmo, mas perde o interesse perto do fim;

  • sente ansiedade quando precisa entregar algo concluído;

  • se envolve em novas ideias para evitar finalizar as antigas;

  • racionaliza a desistência dizendo que “não era o momento”;

  • sente alívio ao abandonar, seguido de culpa e frustração.


Esse padrão não fala sobre falta de talento. Ele fala sobre medo de se afirmar.


Cada desistência reforça internamente a crença:

“Eu não sou constante”,

“Eu nunca termino nada”,

“Algo sempre dá errado comigo”.


E, assim, o ciclo se mantém.


A identidade de quem não se sente merecedor

Por trás da autossabotagem, geralmente existe uma identidade construída ao longo da vida: a identidade de quem aprendeu que precisava se esforçar muito para ser aceito, que não podia errar ou que não era reconhecido pelo que fazia.


Essa pessoa cresce acreditando que:

  • precisa provar valor o tempo todo;

  • não pode ocupar espaço;

  • não pode querer demais;

  • não pode falhar.


O problema é que ir até o fim coloca essa identidade em xeque. Concluir algo bem-sucedido exige reconhecer: “eu sou capaz”. E, para quem passou a vida inteira duvidando disso, essa afirmação gera tensão interna.


Por que parar antes do fim parece mais seguro?

Desistir antes de concluir mantém a pessoa em uma zona conhecida.


Enquanto algo não é finalizado, ela pode acreditar que:

  • “se eu quisesse, conseguiria”;

  • “ainda não era a hora”;

  • “as circunstâncias atrapalharam”.


Ir até o fim elimina as desculpas e confronta a própria imagem. Por isso, o inconsciente prefere interromper o processo antes que essa confrontação aconteça.

É uma forma de autoproteção emocional, ainda que disfuncional.


A desmotivação como consequência, não como causa

A desmotivação aparece depois de muitas desistências acumuladas.


Ela não é a causa principal, mas o resultado de:

  • frustrações repetidas,

  • autocrítica excessiva,

  • sensação de incapacidade,

  • perda de confiança em si.


Quanto mais a pessoa se abandona no meio do caminho, mais difícil fica começar novamente. E, quando começa, já carrega o peso da dúvida: “Será que dessa vez vai ser diferente?”


Um convite à consciência

O primeiro passo para romper esse padrão não é se cobrar mais, mas se observar com honestidade emocional.

Pergunte-se:

  • O que eu sinto quando estou perto de concluir algo?

  • Que pensamentos surgem nesse momento?

  • O que eu temo que aconteça se eu realmente terminar?


Essas respostas não falam sobre incompetência. Elas revelam feridas, medos e crenças que precisam ser acolhidos, não combatidos.

Concluir é um ato de presença consigo

Finalizar algo não é apenas uma ação prática. É um gesto simbólico que diz:

“Eu fico comigo até o fim.”

“Eu não me abandono quando fica difícil.”

“Eu posso sustentar quem eu estou me tornando.”


Talvez você não precise de mais força de vontade.

Talvez precise reconstruir a relação com o seu próprio valor.

 

Renata Restonn

Psicóloga e Mentora de Vida e Carreira

CRP/RS: 07/14513


 
 
 

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