top of page

O Poder do Merecimento: Quando o Maior Obstáculo Está Dentro

  • Foto do escritor: Renata Reston
    Renata Reston
  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura
Quando nos conhecemos melhor, sabemos como reagimos às mudanças e quais são nossas verdadeiras prioridades.

Existe um cansaço silencioso que não vem da falta de capacidade, mas do excesso de autoquestionamento.

É o cansaço de quem tenta, começa, sonha… e desiste antes de chegar ao fim porque, no fundo, não acredita que seja possível sustentar o próprio sucesso.


Esse cansaço não é fraqueza.

É o peso de viver sem a sensação interna de merecimento.


Merecimento não é autoestima elevada — é segurança interna

Muitas pessoas confundem merecimento com autoestima alta ou confiança inabalável.

Mas o merecimento é algo mais profundo e estrutural: ele está ligado à sensação de pertencimento à própria vida.


Quando alguém não se sente merecedor, vive como se estivesse sempre “invadindo um espaço”, “indo longe demais” ou “querendo mais do que deveria”. Isso gera um estado constante de vigilância interna:

  • medo de errar,

  • medo de incomodar,

  • medo de decepcionar,

  • medo de ser vista,

  • medo de ser julgada.


Assim, mesmo quando surgem oportunidades, o corpo reage com ansiedade, bloqueio ou procrastinação. Não porque a pessoa não queira crescer, mas porque crescer ativa uma pergunta inconsciente:

“Se eu for até o fim, eu vou dar conta de sustentar quem eu vou me tornar?”


A ferida do não merecimento costuma ser relacional

Raramente alguém nasce acreditando que não merece. Essa crença é aprendida, geralmente em contextos onde:

  • o amor era condicionado ao desempenho,

  • o reconhecimento era escasso ou inexistente,

  • o erro vinha acompanhado de crítica ou punição,

  • a comparação era constante,

  • as necessidades emocionais não eram validadas.


A criança aprende, então, que para ser aceita precisa:

  • agradar,

  • se esforçar demais,

  • se adaptar,

  • ou se diminuir.


Na vida adulta, isso se traduz em adultos competentes que:

  • não se sentem suficientes,

  • se cobram excessivamente,

  • têm dificuldade em celebrar conquistas,

  • vivem com a sensação de estar “devendo algo”.


Por que terminar algo mexe tanto com quem não se sente merecedor?

Concluir um projeto, uma formação, uma mudança ou um ciclo não é apenas uma ação prática. É um ato simbólico de autoafirmação.

Terminar algo diz ao inconsciente:

  • “Eu sou capaz.”

  • “Eu sustento minhas escolhas.”

  • “Eu posso ocupar meu lugar.”


Para quem não se sente merecedor, isso soa perigoso.

É mais seguro parar antes do fim e preservar a identidade conhecida do que atravessar o medo e correr o risco de mudar a própria percepção sobre si.


Por isso, muitas vezes, a pessoa:

  • procrastina quando está perto de concluir,

  • perde o interesse “do nada”,

  • cria justificativas racionais para desistir,

  • ou se envolve em novas ideias sem finalizar as antigas.


Não é falta de foco.

É medo de se reconhecer como alguém que pode dar certo.


O impacto direto no reconhecimento profissional

No campo profissional, a falta de merecimento afeta diretamente:

  • posicionamento,

  • visibilidade,

  • prosperidade,

  • autoridade.


Quem não se sente merecedor tende a:

  • cobrar menos do que vale,

  • aceitar menos do que merece,

  • evitar exposição,

  • ter dificuldade em dizer “não”,

  • sentir culpa ao crescer.


O paradoxo é que essa pessoa costuma esperar reconhecimento externo para finalmente se sentir válida. Mas o reconhecimento não se sustenta quando o mundo interno continua dizendo “você não merece”.


O resultado é um ciclo de frustração:

não se reconhece → não se posiciona → não é reconhecida → confirma a crença de não merecimento.


Merecimento exige maturidade emocional

Assumir merecimento não é confortável no início.

Ele exige maturidade para lidar com:

  • erros sem se destruir,

  • críticas sem se anular,

  • sucesso sem culpa,

  • crescimento sem abandono de si.


Merecer não é não sentir medo.

É seguir apesar do medo, sem se punir por ele.


Exercícios práticos para fortalecer o merecimento

1. Revisão da história pessoal

Escreva:

  • O que eu aprendi sobre valor pessoal na minha infância?

  • Em quais situações eu precisei me diminuir para ser aceita?


2. Lista de conclusões adiadas

Identifique:

  • O que eu sempre começo e não termino?

  • O que eu evito concluir por medo do que vem depois?


3. Separação entre valor e resultado

Repita conscientemente:

“Meu valor não está condicionado ao meu desempenho.”


4. Prática de finalização consciente

Escolha algo pequeno para concluir deliberadamente.

Observe as emoções que surgem quando você se aproxima do fim.


5. Autorreconhecimento diário

Todos os dias, registre:

  • uma atitude,

  • uma escolha,

  • ou um limite saudável que você respeitou.

 

Merecer é parar de se abandonar

Talvez o maior impacto do merecimento seja este: quando você passa a acreditar que merece, você para de se abandonar no meio do caminho.


Você não precisa mais se sabotar para se sentir segura.

Não precisa provar nada para existir.

Não precisa esperar permissão para crescer.


Merecimento é a decisão interna de ficar com você — mesmo quando falha, mesmo quando cansa, mesmo quando ainda não chegou lá.


E quando você sustenta isso por dentro, o reconhecimento externo deixa de ser uma busca desesperada e passa a ser uma consequência natural.


Porque, no fim, não é sobre chegar mais longe.

É sobre finalmente se permitir ir até o fim.

 

Renata Restonn

Psicóloga e Mentora de Vida e Careira

CRP/RS: 07/14513


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Posts Em Destaque
Posts Recentes
Procurar por tags

Endereço

Rua Visconde de Tamandaré, nº 678
Centro, Alegrete, RS.

Horários

Segunda à Sexta: 08h às 20h30

Sábado: 08h às 17h

E-mail

Redes

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn
  • Youtube
Atendimento Presencial e Online
 

Horários Personalizados:

Segunda à Sexta:  8h às 22:30h

Sábados: 8h às 17h

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn
  • Youtube

© 2024 por Renata Restonn.    Todos os direitos reservados.

bottom of page