Parar de se abandonar
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O merecimento como escolha diária
Ao longo desta série, falamos sobre autossabotagem, não merecimento, medo do sucesso, reconhecimento profissional e a dificuldade de concluir ciclos. Todos esses temas convergem para um ponto central: a forma como você se trata quando as coisas ficam difíceis.
No fundo, o oposto do merecimento não é a incapacidade. É o autoabandono.
O que significa se abandonar?
Autoabandono não é deixar de fazer algo.É deixar de estar com você quando emoções desconfortáveis surgem.
É se abandonar quando:
você desiste de algo por medo;
se critica duramente ao errar;
se diminui para evitar conflito;
se adapta para ser aceita;
ignora seus limites para agradar.
Esses movimentos, muitas vezes sutis, reforçam diariamente a mensagem interna:
“Eu não posso contar comigo.”
E quando você não pode contar consigo, o mundo também se torna um lugar inseguro.
O merecimento começa quando você permanece
Merecimento não é se sentir confiante o tempo todo. É permanecer presente mesmo quando há dúvida, medo ou desconforto.
É escolher:
Não fugir quando erra;
Não se punir quando falha;
Não se desqualificar quando cansa;
Não se abandonar quando o resultado demora.
Permanecer consigo é um ato silencioso, mas profundamente transformador.
A maturidade emocional do merecimento
Assumir merecimento exige maturidade emocional. Exige sair da lógica infantil de aprovação e entrar na lógica adulta de responsabilidade afetiva consigo.
Isso significa entender que:
Nem todos vão gostar de você;
Nem sempre você será reconhecida;
Erros fazem parte;
Frustrações são inevitáveis.
E, ainda assim, você continua válida.
O fim da busca externa
Quando você para de se abandonar, algo importante acontece: a busca desesperada por reconhecimento externo diminui.
Você deixa de:
Implorar validação;
Aceitar migalhas emocionais ou profissionais;
Negociar seus limites;
Se moldar excessivamente.
O reconhecimento externo passa a ser consequência, não condição.
Permanecer consigo muda suas escolhas
Quando você se mantém presente, suas escolhas mudam naturalmente:
Você se posiciona com mais clareza;
Diz não sem culpa;
Termina o que começa;
Escolhe relações mais saudáveis;
Constrói uma carreira mais coerente com seus valores.
Não porque perdeu o medo, mas porque decidiu não se abandonar por causa dele.
Merecimento é prática diária
Não existe um momento definitivo em que você “se torna merecedora”. O merecimento é reafirmado todos os dias, nas pequenas decisões:
Quando você respeita seu tempo;
Quando conclui algo mesmo com insegurança;
Quando se reconhece sem se justificar;
Quando cuida de si sem culpa;
Quando permanece firme diante de críticas.
Cada uma dessas escolhas constrói segurança interna.
Um convite final
Talvez você tenha passado boa parte da vida tentando provar algo: competência, valor, dignidade. Talvez tenha aprendido que precisava se esforçar mais, ceder mais, fazer mais para merecer.
Hoje, o convite é outro.
Pare de se abandonar no meio do caminho.Pare de sair de si quando o medo aparece.Pare de negociar seu valor para ser aceita.
Você não precisa ser perfeita para merecer.Precisa apenas ficar.
Ficar com você quando erra.Ficar com você quando acerta.Ficar com você quando cresce.
Porque o verdadeiro merecimento não está no que você conquista.Está na decisão silenciosa de não ir embora de si.
E quando você fica, a vida responde.
Renata Restonn
Psicóloga e Mentora de Vida e Carreira
CRP/RS: 07/14513






























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