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Merecimento não é autoestima é permissão interna para existir e crescer

  • 26 de fev.
  • 3 min de leitura
Quando nos conhecemos melhor, sabemos como reagimos às mudanças e quais são nossas verdadeiras prioridades.

Muitas pessoas passam anos tentando “aumentar a autoestima”, acreditando que isso resolverá a insegurança, a autossabotagem e a sensação de não ser suficiente. Leem livros, repetem afirmações positivas, buscam validação externa — e, ainda assim, algo não se sustenta.

Isso acontece porque o problema, na maioria das vezes, não está na autoestima, mas na ausência de merecimento.


Autoestima fala de avaliação.

Merecimento fala de permissão.


Autoestima, confiança e merecimento: o que realmente muda?

A autoestima está relacionada à forma como você se percebe em termos de competência, valor e imagem. Ela pode variar conforme experiências, resultados e feedbacks externos.


A confiança diz respeito à crença na própria capacidade de executar algo específico.


O merecimento, por sua vez, é mais profundo. Ele responde a perguntas silenciosas como:

“Eu posso ocupar espaço?”

“Eu tenho direito de querer mais?”

“Eu posso errar sem perder meu valor?”

“Eu posso crescer sem culpa?”


Quando o merecimento não está estruturado, mesmo pessoas com boa autoestima e alta competência se sentem deslocadas, inseguras e travadas diante de oportunidades importantes.


A vida vivida com o freio puxado


Quem não se sente merecedor vive a vida com um freio invisível constantemente acionado. Há desejo de crescer, mudar, prosperar, mas algo interno impede a expansão total.


Essa pessoa:

·       Pensa demais antes de agir;

·       Pede desculpas excessivamente;

·       Sente culpa ao se priorizar;

·       Evita conflitos e exposição;

·       Sente que está sempre exagerando ou incomodando.


Não se trata de humildade. Trata-se de autocensura emocional.


A permissão interna que nunca foi dada.


A ausência de merecimento geralmente se forma quando, em algum momento da vida, a pessoa não recebeu permissão para:

·       Sentir o que sentia,

·       Expressar quem era,

·       Errar sem punição,

·       Existir sem se adaptar excessivamente.


Com o tempo, ela aprende a pedir licença para viver. E, na vida adulta, continua esperando uma autorização que nunca chega.


O problema é que essa permissão não vem de fora. Ela precisa ser construída internamente.


O medo de ser vista(o)

Um dos maiores impactos da falta de merecimento é o medo de ser vista. Ser vista implica ser reconhecida, avaliada, julgada e, principalmente, existir de forma mais inteira.

Por isso, muitas pessoas:

·       Evitam exposição profissional;

·       Têm dificuldade em se posicionar;

·       Se escondem atrás de excesso de preparo;

·       Sabotam oportunidades de destaque.


Ser vista ativa a crença:

“Se me enxergarem de verdade, vão perceber que eu não mereço.”


Quando crescer parece perigoso

Crescer exige expansão emocional. Exige lidar com responsabilidades, frustrações, críticas e escolhas. Para quem não se sente merecedor, crescer é sinônimo de risco.

Existe uma fantasia inconsciente de que:

·       Errar será imperdoável;

·       Falhar confirmará a inadequação;

·       Crescer afastará pessoas importantes;

·       Prosperar trará culpa ou rejeição.


Assim, o inconsciente mantém a pessoa em um lugar conhecido, mesmo que desconfortável.


Merecimento não elimina o medo — muda a relação com ele.


Sentir medo não significa ausência de merecimento. A diferença é que quem se sente merecedor não se paralisa por causa do medo.


Ela entende que:

·       O medo não define quem ela é;

·       Errar não anula seu valor;

·       Crescer é um processo, não uma prova.

     

Merecimento não é ausência de insegurança. É capacidade de seguir sem se abandonar.

 

Exercício para dar início a reconstrução da permissão interna

Reserve um momento de silêncio e reflita:

 

·       Em que situações eu sinto que preciso pedir permissão para existir?

 

·       Onde eu me calo para não incomodar?

 

·       O que eu deixo de fazer por medo de ocupar espaço?

 

Depois, escreva conscientemente:

“Hoje, eu me dou permissão para tentar, errar e crescer.”


Repita isso não como uma afirmação vazia, mas como um compromisso interno.


O merecimento como base da expansão

Quando o merecimento começa a se fortalecer, algo muda profundamente:

A culpa diminui;

O medo perde força;

A autossabotagem enfraquece;

A vida começa a fluir com mais coerência.

Você passa a agir não para provar algo, mas porque se autoriza.


E isso transforma relações, carreira, escolhas e resultados.


Nos próximos artigos, vamos aprofundar um dos maiores bloqueios do merecimento: o medo do sucesso e da visibilidade.


Porque, muitas vezes, não é o fracasso que assusta.

É a possibilidade real de dar certo.

 

Renata Restonn

Psicóloga e Mentora de Vida e Carreira

CRP/RS: 07/14513


 
 
 

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